e o desejo de pensar no que poderia ser sempre lhe fora a maior necessidade corrosiva. corrosiva a tal ponto, que não era mais capaz de entender onde se encontra o significado desse centro duro em si mesma, tampouco o caminho de dissolução no lunar a que se pretendera. em silêncio, como quem separa cada uma das sementes de sua espécie, reparava os males do fato de ser feita de palavras. mais: de ser feita do substancial de sua própria linguagem! essa, por sua vez, corruscante, improvável, estava, já, destituída do poesis elementar. era o fracassado! era o perigo de fora pra dentro. não havia mais como voltar. tudo, por partenogêneses, era gerido e digerido em milésimos! cada coisa perdia a sua importância em si mesma. era a potência do nada de ser um quase-tudo. o mal se dera sem meios paliativos, se dera sem ela os permitir. como lidar com a linguagem que flagela a casca do significante, fazendo escorregar pelas mãos o caldo grosso da palavra de quem a escreve?
sexta-feira, 1 de junho de 2012
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