quinta-feira, 31 de maio de 2012

o que em mim te esperava...


SILÊNCIO, POR FAVOR


Sem pensar na forma, sem parar para revisar, sem medo de quem pode ler, quem possa, né? Mas só aí já prevejo que há tudo o que nego, tudo que sempre minto. Dessa vez será sem palavras bonitas, sem associação entre adjetivos e seus respectivos núcleos. Tô cansada! Tô de saco cheio! Quero ser qualquer outra coisa, menos ser eu mesma. Não quero drama, não quero que sintam pena de mim. Não quero! Quero ficar estanque, avulsa. Não quero ter começo, nem início, quero partir do meio, partir do insignificado, do não culturalmente assimilado. Quero ser simples. Ser unicelular, uma urtiga, um arroto ou apenas o vácuo antes mesmo que possa penetrar ar! Quero chorar, até gritar, quero estar só para poder comigo mesmo me machucar, para poder não esquecer, para sangrar, sangrar. Quero escrever até a mão doer. Não quero mais pensar em ninguém. Ou fingir que sou preocupada com as mazelas do mundo. Estou sozinha e ninguém se importa! Estou sob e ninguém pode me des-


I WANNA BE A WOMEN


terrar. Há vazios, há um espaço enorme em mim. Ainda tem feito muito frio. Parece que tudo está bem, mas é mentira. Cansei de ser boazinha, de ser heroína, de ser forte, de aceitar tudo como está. Quero o avesso das coisas. Quero o tempo inteiro e a todo instante. Quero o tempo do homem, cansei de esperar pelo tempo de deus. Tenho pressa. Ando com areia nos bolsos e pedras nos sapatos, carrego todo meu trágico dia nas costas. Touch-me! Livre-se de mim, sou contagiosa, tóxica... a tristeza não é passageira...tudo é fingido, simulado. Até mesmo a noite é uma grande ilusão. Nem a dor que eu sinto é minha mesmo. Eu preciso forjar desculpas para chorar. E quando choro, choro apenas com os olhos. Quero chorar com o corpo todo. Quero poder ficar rouca de chorar, quero ter soluços de tanto chorar. Quero o desespero antes mesmo das lágrimas contidas, quero mesmo a falta de etiqueta, a pressa do desespero antes mesmo a fingir

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