SILÊNCIO, POR FAVOR
Sem pensar na forma, sem parar
para revisar, sem medo de quem pode ler, quem possa, né? Mas só aí já prevejo
que há tudo o que nego, tudo que sempre minto. Dessa vez será sem palavras
bonitas, sem associação entre adjetivos e seus respectivos núcleos. Tô cansada!
Tô de saco cheio! Quero ser qualquer outra coisa, menos ser eu mesma. Não quero
drama, não quero que sintam pena de mim. Não quero! Quero ficar estanque,
avulsa. Não quero ter começo, nem início, quero partir do meio, partir do
insignificado, do não culturalmente assimilado. Quero ser simples. Ser
unicelular, uma urtiga, um arroto ou apenas o vácuo antes mesmo que possa
penetrar ar! Quero chorar, até gritar, quero estar só para poder comigo mesmo
me machucar, para poder não esquecer, para sangrar, sangrar. Quero escrever até
a mão doer. Não quero mais pensar em ninguém. Ou fingir que sou preocupada com as
mazelas do mundo. Estou sozinha e ninguém se importa! Estou sob e ninguém pode
me des-
I WANNA BE A WOMEN
