sábado, 28 de julho de 2012

um caso de punição!

é o grito de ordem! depois de iniciado em processo, tudo lateja em palavra. água doce que arde em sal, a dor que se veste de amanhã na vã esperança de se fazer menor, o dia imprensado em letras manuscritas. tudo parece sob o domínio do sentimento pelo que pensamos.cada desmedida minha é um ato de bravura indômita, uma necessidade de respirar enquanto se nada em meio à profusão das cores do passado de antes. S.O.S     nunca entendi pedidos de ajuda. nunca soube socorrer a quem de mim precisou! estancado, coagulado, inerte, elidido, domado. esse é o mar sob o qual vivo. essa é a vida que ousaria ter pra mim. e o que sobrar? fica pro lixo das entrelinhas de quem não se arriscar a ler!

o que sangrava em palavras

é como se colocasse essas minhas mãos com enormes dedos dentilhados por dentro do que há na noz daquilo em palavras. querendo, assim, pôr ordem a tudo que se sentiu. colocar em carrerinha, como tudo com que componho esta mensagem, o que está em convulsão. é violência! apanhamos pela sintaxe da língua de qualquer forma, antes mesmo de ser!

terça-feira, 5 de junho de 2012

o vento nos meus cabelos

e a escolha de voltar aqui apenas para escrever, apenas para idealizar o que ela tinha de mim em seu mais distanciamento, era um pedido por ajuda, era o reverso da transformação: cada dor em um signo ainda mais distante e silenciado. o que meu nome teria para responder ao que me era sabatinado? o que de mim era eu mesmo, só que mais fragmentado? não sei! o pensamento é em voz alta. as palavras não mais segredam minha decisão de vida em liberdade, entre a suposta porta aberta dos meus no dela! e fazer sentido? é apenas pra se ir sentindo. o mais? as linhas que nunca foram escritas...

sexta-feira, 1 de junho de 2012

o conto contra(e)feito

         eu tenho que gritar isso          reparou que era todo eu silêncio? 

memória do que esqueci de ana

vontade. encerrar o que tenho num ponto entre o vazio e o expectante de mim! precisão da língua que tenho: única provável, possibilidade decifrada, re-unida...

três: a chance, a ida e o contínuo. não mais que o teorema da noite: pode ser tarde demais! a vida, já se disse, impossível e expulsa. ou atada?

metástase

e o desejo de pensar no que poderia ser sempre lhe fora a maior necessidade corrosiva. corrosiva a tal ponto, que não era mais capaz de entender onde se encontra o significado desse centro duro em si mesma, tampouco o caminho de dissolução no lunar a que se pretendera. em silêncio, como quem separa cada uma das sementes de sua espécie, reparava os males do fato de ser feita de palavras. mais: de ser feita do substancial de sua própria linguagem! essa, por sua vez, corruscante, improvável, estava, já, destituída do poesis elementar. era o fracassado! era o perigo de fora pra dentro. não havia mais como voltar. tudo, por partenogêneses, era gerido e digerido em milésimos! cada coisa perdia a sua importância em si mesma. era a potência do nada de ser um quase-tudo. o mal se dera sem meios paliativos, se dera sem ela os permitir. como lidar com a linguagem que flagela a casca do significante, fazendo escorregar pelas mãos o caldo grosso da palavra de quem a escreve?

quinta-feira, 31 de maio de 2012

o que em mim te esperava...


SILÊNCIO, POR FAVOR


Sem pensar na forma, sem parar para revisar, sem medo de quem pode ler, quem possa, né? Mas só aí já prevejo que há tudo o que nego, tudo que sempre minto. Dessa vez será sem palavras bonitas, sem associação entre adjetivos e seus respectivos núcleos. Tô cansada! Tô de saco cheio! Quero ser qualquer outra coisa, menos ser eu mesma. Não quero drama, não quero que sintam pena de mim. Não quero! Quero ficar estanque, avulsa. Não quero ter começo, nem início, quero partir do meio, partir do insignificado, do não culturalmente assimilado. Quero ser simples. Ser unicelular, uma urtiga, um arroto ou apenas o vácuo antes mesmo que possa penetrar ar! Quero chorar, até gritar, quero estar só para poder comigo mesmo me machucar, para poder não esquecer, para sangrar, sangrar. Quero escrever até a mão doer. Não quero mais pensar em ninguém. Ou fingir que sou preocupada com as mazelas do mundo. Estou sozinha e ninguém se importa! Estou sob e ninguém pode me des-


I WANNA BE A WOMEN


terrar. Há vazios, há um espaço enorme em mim. Ainda tem feito muito frio. Parece que tudo está bem, mas é mentira. Cansei de ser boazinha, de ser heroína, de ser forte, de aceitar tudo como está. Quero o avesso das coisas. Quero o tempo inteiro e a todo instante. Quero o tempo do homem, cansei de esperar pelo tempo de deus. Tenho pressa. Ando com areia nos bolsos e pedras nos sapatos, carrego todo meu trágico dia nas costas. Touch-me! Livre-se de mim, sou contagiosa, tóxica... a tristeza não é passageira...tudo é fingido, simulado. Até mesmo a noite é uma grande ilusão. Nem a dor que eu sinto é minha mesmo. Eu preciso forjar desculpas para chorar. E quando choro, choro apenas com os olhos. Quero chorar com o corpo todo. Quero poder ficar rouca de chorar, quero ter soluços de tanto chorar. Quero o desespero antes mesmo das lágrimas contidas, quero mesmo a falta de etiqueta, a pressa do desespero antes mesmo a fingir

quarta-feira, 30 de maio de 2012

...olhava em busca de você!

preciso me agarrar às coisas! como pedir salvação! ou salvamento? para que tenho fôlego?não sou resistente a essa pele e a esse corpo que me deram! com que nomes posso me chamar? aquele, outro, um...únicas palavras permitidas. mas não são nomes! sempre PROnomes, sempre antes do que quisera. nunca o que me dera! conta a lenda que dormia, uma princesa! em meu corpo de era...sempre o passado que não tem fim!

a saída!

eu vivo de roubar. vivo de um crime cuja sentença única é a máquina, a dor nas primeiras seis horas. crime esse que me atormenta, que me arrepia a pele, que me faz amar, mas que me traí com outras. trai porque eu permito. porque sempre fui permissivo demais. não sei como fazer diferente disso aqui: sofrer calado, quando tudo em mim não dorme, quando tudo é em silêncio em minha cabeça! explodido que só, expulso da vida como antes, externado ao meu útero não foi capaz de gerir ou de germinar. vivo como quem sonha num sonho outro, como quem chega a uma sala branca, com uma mesa de ferro e um bilhete à porta: "abra-a". ao abri-la, me dou a mais outra porta, numa sala outra, com a mesa de ferro e com o bilhete interminável! por isso que roubo, por isso que não durmo mais. tenho medo de ser a única porta possível!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

...e o que sobra?

tudo em mim dói. tudo que só fora da linguagem se movimenta não é capaz de satisfazer as minhas necessidades mais elementares: como respirar de mim para o outro, como saber o que faço de novo ainda sendo o acúmulo do outro de sempre! cada coisa sempre almejou seu lugar próprio, minha permissão mais abastada! a noite que começa em mim parte para um todo no tracejar da completude DELE. é engraçado escolher signos mínimos, formar mensagens que só são possíveis nessa língua com que nos comunicamos. tudo em jogo. todos em diferença! quem haveria de me julgar pelo que omito de mim e do que antes nem meu era? é preciso acordar agora. desculpe-me!