E o que tinha passagem pelo
corredor. Era a medida necessária para o fingimento do que ainda poderia ser. Atravessou,
por isso, com pressa, mas com tempo necessário de poder olhar cada vão de tinta
e de espaço deixado nas paredes por acaso, deixados ali para que seu coração
tivesse o mínimo espaço de respirar. Às vezes, sentimos medo por não sermos do
tamanho exato da vontade do outro. Às vezes, o outro extrapola nossa medida, e
deixa um sorriso como marca indelével por semanas! Tudo é breve e infinito. No espaço
de cada hora, sentimos falta de ficar parado, olhando a chuva desenhar uma
dança secreta na janela nossa! Pensamos, com isso, a leveza de ser elegante e a
espera pelo que pode chegar apenas de hora em hora. Não sei mesmo o que tenho
no corpo assim que acabo de fazer amor no chão. Deitados, sem respirar, não me
é permitido nem o espaço do corpo que se contrai dentro de mim. Tudo segue em
frente. Nada fica para o dia seguinte. Nem mesmo o corpo dele lateja palavras
suficientes para me fazer crer na experiência de risco e medo a que nos damos
na clausura de nossas carências. Ele me quer? Ainda não sei. Sempre vasculho
tudo, forjando motivos para me sentir mais humano, mais próximo do erro com que
nomeei minha vida daquele dia em diante. Por que títulos ficam sempre
centralizados? Não quero que minhas palavras gravitem em torno de um nome que
dou por fim. Quero o espaço de ida e de retorno. Quero o vácuo que só ele pode
permitir ao passar. Ao corredor de sentidos e sensações! Nem tinta, nem a
triste aranha que dá sentido à sua existência mínima, nem as minúsculas
moléculas dispersas no ar, cortadas pelo corte da pressa de passar a sós. Minha
autoausência em meu redor. Por isso, medir não é estender, tampouco confluir
nesse espaço de nada! Por que me fiz assim? Nada mais pode reverter o que corre
corredor adentro de minha veias! Tinta? – Como um funil, meu bem – pensou alto,
sem se dar conta de sua voz rateava sílabas inaudíveis aos ouvidos mais sutis...
– Como um funil, meu bem! Como um funil...deixe tudo como está. Mexa apenas o
que você consegue guardar por dentro de suas memórias. As palavras não podem
fazer de conta que não existimos. Elas ignoram minha passagem, mas eu estou
aqui, de corpo, fazendo presença nesse meio. Rangendo dentes como um cão a
ponto de brigar pela comida mexida por alheio. Rangendo sonoridades do que o
corpo físico e imaterial da linguagem permite-me expressa! Deixo falar mais do
que a fala de um Mago. Deixo falar o que me aprisiona. O que pelo corredor ele
não pode levar!
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
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