E como tua, lá vou eu de novo. Pronta pelo avesso, como se
quisesse me livrar de algo que em mim não tem mais cabimento, nem medida. Tudo
está fora, tudo só se remexe por dentro. Chegas fazendo barulho, sobes, em vez de
descer as escadas, no descompasso do que alguém um dia ousou chamar de samba, tua batida só encontra ritmo na pele distendida e áspera que recobre o que
pensei um dia ser meu corpo. Corpo às avessas, corpo que incorpora e que fica
igual de novo. Igual de novo? Coração, coração. Tu és o puto que me bates, que
me lanhas, que sanhas a esse estado de coisas. Eu que prefiro doer a viver
pedinte, eu que prefiro o espaço do sono ao momento da contagem pela burocracia
da espera. Tu és o puto que manda em mim...
Não sei como pode haver amor num
dia indeciso entre frio e calor, no qual as horas deixaram de cessar a vontade
feérica de amar ao contrário de mim. Sou tua mulherzinha, a puta que põe tudo à
mesa: papéis avulsos, páginas manchadas de chico, meu gozo medido pelo o que tu esperas de mim. Sempre esperam de mim? Sempre esperam em mim. Como ser
tantos num invólucro único, nada substancial. E dirias, com teu velho ar de
deboche, nada passa de substantivo! E
na aula fui sendo obrigada a acreditar que o essencial é o verbo: sereno! Nunca
pude lidar com a indecisão das cores, com a sensação daquilo para o qual ainda
não se tem nome!
Meu nome é agora! Pedra? Nem mesmo fumo crack.
Perdoai!

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