eu vivo de roubar. vivo de um crime cuja sentença única é a máquina, a dor nas primeiras seis horas. crime esse que me atormenta, que me arrepia a pele, que me faz amar, mas que me traí com outras. trai porque eu permito. porque sempre fui permissivo demais. não sei como fazer diferente disso aqui: sofrer calado, quando tudo em mim não dorme, quando tudo é em silêncio em minha cabeça! explodido que só, expulso da vida como antes, externado ao meu útero não foi capaz de gerir ou de germinar. vivo como quem sonha num sonho outro, como quem chega a uma sala branca, com uma mesa de ferro e um bilhete à porta: "abra-a". ao abri-la, me dou a mais outra porta, numa sala outra, com a mesa de ferro e com o bilhete interminável! por isso que roubo, por isso que não durmo mais. tenho medo de ser a única porta possível!
quarta-feira, 30 de maio de 2012
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